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BPM Podcasts: iBPM + Tecnologias para Gestão

Em dezembro de 2013 encontrei com o meu grande amigo Gart Capote para gravar um episódio do BPM Podcasts. Fiz questão que este primeiro podcast fosse um bate papo da mesma forma que os encontros sobre BPM, filosofia, tecnologia, e muitos outros assuntos que já tivemos. A entrevista aconteceu num hotel em São Paulo momentos antes da reunião anual do Comitê Executivo da ABPMP Brasil que marcou a divisão da sua trajetória.

Muitos dos assuntos tratados neste podcast já são práticas comuns em grandes bancos no Brasil há mais de dez anos, por outro lado, empresas estão aplicando agora para fazer a Transformação Digital, outras estão a caminho e algumas infelizmente, não terão tempo de aplicar e serão engolidas pela falta de agilidade para mudar em tempo.

Alguns dos conceitos tratados em 2013 neste podcast se consolidaram hoje: regras de negócio agora tem uma disciplina gerencial para decisões do negócio e a notação DMN como padrão aberto para modelagem e execução de decisões; gerenciamento de casos dinâmicos já tem uma notação CMMN para modelagem e execução de casos; cientistas de dados estão cada vez trabalhando em conjunto com os analistas de processos para aliar ferramentas de análise e bacos de dados NoSQL para armazenar grandes volumes de dados (sem excluir ou alterar) para rodar o transacional e o analítico em conjunto com os processos, casos e decisões automatizados. Tudo isso, estamos vivendo nos projetos com BPMS hoje com tecnologias de custo muito baixo como o Camunda, BPMN.io, AlasticSerarch, Kibana, Apache Hadoop, linguagem R e muito mais!

No link a seguir você poderá assistir o podcast no SoundCloud no seu computador, tablet ou smartphone:

Ou no iTunes

https://itunes.apple.com/br/podcast/gart-capotes-bpm-podcast/id673750954?mt=2

 

 

A seguir a transcrição do podcast (com gírias) publicada no site da Projeler no início de 2014.

Transcrição do áudio da entrevista de Gart Capote e Maurício Bitencourt no episódio 11 do BPM Podcasts

Gart Capote // quarta-feira, 08/01/2014
BPM Podcasts – Episódio 11 – Maurício Bitencourt & iBPM + Tecnologias para Gestão (34:51)
Neste episódio entrevista com Maurício Bitencourt, diretor da PROJEELR que fala sobre iBPM e as tecnologias mais modernas disponíveis para a Gestão. Imperdível!

Apresentadora: Gart Capote BPM Podcast. Seja bem-vindo.

Gart Capote: Olá pessoal, tudo bem? Aqui é Gart Capote. Sejam bem-vindos a mais um BPM Podcast. Hoje o programa está um pouco diferente é uma gravação minha com Maurício Bitencourt. Um grande amigo e um grande especialista em tecnologia relacionada a gestão. Nós fizemos está entrevista em um hotel em São Paulo, ainda em dezembro de 2013. Por ser um ambiente fora do estúdio de gravação, normalmente, onde eu faço as minhas gravações, as minhas participações no Podcast e onde a gente edita o trabalho enviado pelos outros colegas, os outros convidados. Vocês vão perceber que existe uma variação de som, variações características de um ambiente onde a gente não tem tanto controle quanto o estúdio, mas isso não é o mais importante. O importante é o conteúdo, aproveitem bastante essa entrevista, é divertida, é informativa, principalmente, e eu espero muito que vocês aproveite este material que foi feito com muito cuidado e carinho para vocês. Um bom episódio para todo mundo, vamos começar!

Gart Capote: Maurício antes de começar, as nossas perguntas, e dar andamento a entrevista eu gostaria que você explicasse um pouco, para o pessoal, como foi que você começou nesta história de BPM, de automatização, automação de processos, etc? Porque muitos acham, ainda, que BPM é uma coisa muito recente. Que tem aí 1, 2, 3, 4 anos, no máximo, de existência. Conta um pouquinhos, pra gente, como é que você entrou, que no final das contas, essa sua trajetória na tecnologia de BPM, de gestão, vai traduzir para nossos ouvintes um pouco da trajetória de BPM e todas as tecnologias que tem aí disponíveis.

Maurício Bitencourt: Legal Gart! BPM realmente como disciplina gerencial foi  2006  2008. Quando tu mandou aquele e-mail para varias pessoas no Brasil. Fez uma reunião virtual, nós ainda nem nos conhecemos, eu te conhecia por uma pessoa de um blog. E teu contato com o CBOK e a ABPMP realmente, pra mim, foi uma mudança profissional fantástica. Parabéns pela iniciativa que você teve. Muita coisa foi feita e muita coisa será feita ainda e parabéns pela iniciativa do podcast, porque a gente sabe que tem muita gente que ouve o teu podcast e faz a prova de certificação, e faz viagens de carro e ouvindo o Podcast. Para nós é muito gratificante isso, né? A gente poder contribuir com a disciplina gerencial. Então acho que  2006  2008 realmente foi quando a gente teve aquela primeira reunião, eu estava em Brasília. Me lembro que esta época corri para o hotel porque era 7 horas essa reunião e foi muito bacana. Mas com tecnologia relacionada a isso desde a década de 90 eu trabalhei com Workflow. Aquele screen workstation, os clássicos workflows. Trabalhei, também, muito com Business Intelligence. Nessa época aí eu consegui ser contaminado pelo BPM e trabalhei muito com projetos de Business Inteligence, painéis de gerenciamento, mas era uma ideia olhando no retrovisor”. Sistemas transacionais separados dos sistemas de decisão. Ou você acessava o sistema de ERP, ou você acessava o sistema de decisão. Juntar estes dados, que muitas vezes as pessoas utilizavam estes ERPs para lançar o trabalho em lote no final do dia, não era o que estava acontecendo no processo naquele momento, não é? O pessoal juntava a papelada toda para lançar no sistema, né? Depois a gente juntava estes dados todos fazia Data Cleaning. Limpava dados, olha só, ainda tem muita coisa que se faz de higienização de dados nas, ainda, nas organizações. Aí limpava aqueles dados para poder dados higienizados para transformar em informação, esta limpeza toda. Parece absurdo hoje, mas ainda é muito real. Existe isso nas empresas hoje. E o BPM demonstrou para mim, primeiro, a possibilidade de obter melhores métricas coletadas diretamente da execução dos processos. Só que naquela época nenhuma empresa pensava muito nessa ideia de Lean e de Ponta a Ponta, de VSM, de Fluxo de Valor. Então isso me mostrou uma forma mais fácil de coletar diretamente dados que realmente aconteciam naquele momento para trazer isso para painéis mais próximos do tempo real, os painéis de BAM. Então nessa época eu conheci notação BPMN, fui pra fora, fiz alguns treinamentos nisso aí. E percebi que BPM era muito mais que fluxogramas, né? E me envolvi bastante com capacitação de gente na notação BPMN que é a técnica e utilizando a tecnologia, mas isso se completou mesmo quando a gente começou se envolver com a ABPMP e o compedium do CBOK foi uma coisa fantástica que foi feito, pra mim principalmente, na disciplina. Então eu acho que nós estamos aí na versão 3.0 do CBOK tem muito a evoluir ainda. Praticamente BPM é um guarda-chuva de tudo que a gente tem no mundo da vida pessoal e empresarial também. Porque todo mundo é impactado de alguma forma com produtos e serviços melhores, através dos processos.

Gart Capote: Você começou bem no início, já com o workflow, viu o nascimento do BPM como tecnologia, ainda, falando de BPEL, viu BPMN nascendo, trabalhava, na época, com workflow, viu BPM se tornar uma disciplina estruturada e difundida pela ABPMP Internacional, o nascimento do CBOK, hoje o 3.0 e etc. Uma evolução grandiosa desde uma disciplina e a tecnologia acompanhando. Mas não é essa a ideia de a gente conversar aqui sobre BPMS e somente a parte muito automatizavel dos processos, mas principalmente o que a tecnologia tem de novo, a ideia da inteligência aliada a tecnologia ou a tecnologia apoiando as tomadas de decisão mais inteligentes, mais ágeis. Como é que você tem visto essa mudança e as novidades que a gente tem no mercado internacional, você que acabou de retornar de um treinamento, uma imersão de 5 dias em Londres, justamente nesse assunto? O que a gente pode esperar para o próximo ano e para o futuro breve de novidades nesse campo?

Maurício Bitencourt: Em março de 2012 eu tive acesso aquele paper do Gartner que falava sobre operações e inteligência nos negócios, o IBO. E lá falava que era o próximo passo de BPM. Isso mexe com a gente, porque o que é realmente esse “i do intelligence, do IBO ou do iBPMS. Primeira coisa que eu imaginei é que isso é um acrônimo de marketing que vai se criar um novo produto em cima disto ou uma categoria de produto. Aí eu fui a Fort Lauderdale no Building Business Capability porque eu vi que estava no roteiro do evento palestras do Gartner junto. Ai eu, olha eu tenho que ir lá para ver o que a Janelle Hill escreveu aí e está falando sobre isto. E lá eu pude ter uma ideia melhor sobre isso e surgiro no prefácio 2 , do capítulo 2 do CBOK tem um texto da Janelle Hill que escreve sobre isso. Como que o BPM vai trabalhar ir além dessa redução de custo aumento, de eficiência. Na minha percepção é uma visão simplista e muito interna, focada na redução de custo, e no resultado de curto prazo. Com foco no último número, na última linha do balanço, fazer resultado no curto prazo é muito fácil nas organizações, mas fazer transformações sustentáveis no longo prazo com aderência é a parte mais difícil. Mas o que é esse “i” de Intelligence? Isso ai esta dando uma direção nova para o negócio de fazer que o próprio negócio seja mais ajustado as mudanças e a dinâmica do mercado e o que os cliente estão querendo. Clientes mais inteligentes e melhor informados, também, não aceitando qualquer produto e serviço, né? Então esse “i” de Inteligente ou Intelligence ele tem uma característica de colocar essa inteligência em tempo real. Não ser aquela coisa separada do transacional que depois você vai em um painel de gerencialmente extrai as informações e toma decisões com base naquilo que aconteceu. Você transforma a organização, e processo tem tudo a ver com isso, de trazer mais inteligência naquele momento que esta acontecendo. Isso é uma coisa que você fala muito Gart , que eu acho muito legal, que é o contexto. Temos que contextualizar a informação naquele mesmo momento e isso é um fator que a gente chama de analítico e o transacional junto para capacitar as pessoas a tomar melhores decisões e mais rápidas dentro daquele contexto do trabalho para proporcionar uma operação em tempo real, com muito mais consistência.

Gart Capote: Vou fazer uma outra pergunta em cima disso. Vamos traduzir isso para dois tipo de profissionais que ouvem o nosso Podcast o gestor e o profissional que atua como consultor interno ou externo de uma organização. Pro gestor o que o iBPMS traz de diferente no seu acesso a informação e tomada de decisão, se você já tem um consolidado disso o mesmo para o consultor ou analista que precisam fornecer essas informações relevantes para a tomada de decisão? O que você vê de mudança prática no dia a dia para esses dois públicos?

Maurício Bitencourt: Eu vejo tudo integrado e tudo muito mais rápido. Então, umas coisas que aconteceram da vida da gente que realmente transformou a vida da gente foi o celular e internet. A gente percebe que tudo esta muito mais integrado e muito mais rápido as informações hoje a gente tem todas na mão. Então o mobile é uma coisa que acontece muito isso. Então a gente esta levando muito mais informação para as pontas. Uma informação mais estruturada, melhor. Isso vai potencializar a capacidade da pessoa na ponta, a capacidade de comunicação que ela tem, uma capacidade de negociação que ela vai ter e isso é a maior transformação que vai acontecer realmente na linha de frente, aquela que tem contato com o cliente. Porque, de alguma forma, os gestores já tem algum mecanismo instrumentalizado de acesso a informações, o que talvez não esteja muito bom é a limpeza, é a qualidade deste dado que compõe esta informação que ainda tem muito. Isso foi uma coisa que me fascinou no BPM é você conseguir coletar, de forma automática, estas informações lá na ponta e trazer um volume de informações para os gestores. Isso esta dando um problema grande de Big Data. Tu pega ai um programa, qualquer programa, que você tiver de navegação do seu celular. Ele é um grande coletor de Big Data para, digamos, o Waze para o Google e isto traz um volume enorme de informação que você pode tomar decisões. Hoje você esta muito Data Driven, você está tomando muito mais informação com base em volume grande de dados. Esse volume é muito difícil de você processar ele e eu até digo isso, não adianta você querer fazer exportação de dados para o Excel e usar a ferramenta Excel como uma ferramenta de análise de dados, porque o volume é muito grande de dados. Então a coleta vai melhorar e aí você tem que levar essa informação em cima do contexto. Eu acho que essa é a grande diferença e vai impactar em todo mundo.

Gart Capote: Você acredita que estes devices que hoje a gente utiliza no dia a dia, praticamente todo mundo, eles vão ajudar a fornecer essa melhor informação com mais qualidade em tempo real para quem precisa desta informação, as pontas principalmente?

Maurício Bitencourt: A gente está vivendo uma coisa que é… Você tem uma fusão de varias tecnologias muito mais integradas. Esta acontecendo a customerização do TI. Na verdade, a gente transformou tudo isso em commodity. Lembro que eu li aquele livro, IT doesn’t matter, 10 anos atrás. E eu lembro muito disso e isto tem aquela sigla Bring Your Own Device, Traga seu próprio dispositivo, para ter acesso em qualquer lugar com seu computador, tablet ou smartphone. Então esta tudo integrado com capacidades analíticas, redes sociais, que expandem as pontas, os escopos, do ponta a ponta. Isto, também é uma coisa que está acontecendo que é fantástica.

Gart Capote: Explica então pra gente o que é realmente essa sigla iBPMS ou iBPMS?

Maurício Bitencourt: É o termo vem do Magic Quadrant o Intelligente Business Process Suites que o Gartner, até então, tinha quadrantes do BPMS e eles criaram um novo. É um quadrante que posiciona 13 fornecedores, tem foco na agilidade e otimização em tempo real da operação do negócio, é o IBO. Eu prefiro, também, o termo do livro Inteligente BPM System que é Impact and a Opportunity foi editado pela Liana Fisher e tem vários artigos dentro e acho legal nesse livro que explica várias visões de vários autores sobre o que é este sistema inteligente de gerenciamento de processos de negocio. Eu venho trabalhando com estes conceitos a muito tempo, na década de 90 a gente tinha lá workflow, o BPMS surgiu a uns 10 anos atrás com a ideia de automação de processos e hoje o conceito tá muito mais orientado a orquestração de processos. De lá para cá isso evoluiu muito, muitas tecnologias se fundiram, ficaram integradas, não é uma tecnologia específica. A gente percebe isso pela fusão e aquisição, várias fusões e aquisições, que aconteceram entre fornecedores por que eles sentiram a necessidade de completar suas plataformas. Então 50 plataformas que tinham antes surgiram 13 agora nesse quadrante novo. Isso porque não adianta você ter só um motor que automatiza processos ou motor que automatiza workflow você tem que compor isso. Tecnologias do tipo M2M ou M to M que é Machine to Machine então são coisas que você precisa completar. Até os próprios motores de regras, eu já fiz muitos projetos que eu tinha um fornecedor de motor de processos que automatizava o processo e ele não tinha o motor de regra, agente fazia as integrações destes motores de regras em separado. Então eu tinha lá o Intalio na automação e o Drools Guvnor no gerenciamento de regras. E a gente fazia uns Frankensteins e isso a gente hoje percebe que está tudo fundindo. Então muitos conceitos de Complex Event Processing, Inteligencia Artificial coisas que estão necessitando para você colete outros tipos, não só dados, mas eventos dentro do processo, isso está se fundindo, está juntando. O iBPMS ele vai além da automação, mas trabalha orquestração, trabalha também processo não estruturados como o gerenciamento de caso e coisas que são relacionadas a isto.

Gart Capote: O público um pouco mais técnico em BPMS, especificadamente, o pessoal que entende um pouco mais de arquitetura, você poderia dizer que o iBPMS é uma mudança interna dos produtos, também, comadas de integração, regras, etc.?

Maurício Bitencourt: Sim, tudo junto. Mas aí este “i” vem de Inteligente que não é somente integrar as coisas em uma perspectiva técnica, né? Digamos você vai ter um motor de inferências dentro que você vai pegar uma serie de situações e ele vai trabalhar esta questão antes de fazer o desvio. Eu dou treinamento de BPMN desde 2006 e desde lá eu via uma coisa muito interessante quem me conhece sabe que eu gosto de olhar mais fluxo de valor e tal, mas o que muda bastante é a percepção que você tem desvios dentro do processo e estes desvios são os gateways. Eles não são decisões, as decisões aconteceram antes. Então, isto já prepara seu processo para poder utilizar um motor de inferências junto ou um motor de regras. Então, as decisões foram tomadas antes daquela … Se você tem uma regra de negócio que não tem julgamento você pode jogar isto para um motor de regras e depois você tem uma atividade humana, logo depois, que já vem pré-pronta com alguma decisão que você não conseguiria fazer. Por que você tem um volume muito grande de informações ou um volume muito grande de decisões que é humanamente impossível fazer isto. Então, esta arquitetura envolve mais inteligência esta ideia de inteligência pode parecer meio arrogante, mas é uma ideia de você realmente colocar inteligência que nem o Skynet do filme Exterminador do Futuro é uma coisa meio maluca, mas é mais ou menos assim.

Gart Capote: Fechando só um raciocínio sobre o iBPMS, quer dizer então que o BPM Inteligente é então uma conjunção de arquitetura de tecnologia, software BPMS originalmente, abastecido com uma nova camada decisória reutilizando a notação BPMN com muito mais propriedade e poder com base em regras de negócio e tudo isso em uma conjuntura mais complexa e aderente, inclusive, a velocidade na tomada de decisão que hoje em dia a gente precisa, é por aí?

Maurício Bitencourt: Sim, até você poderia me contar assim, os processos hoje não são inteligentes? Indo direto ao ponto qual é a grande transformação que vai acontecer aí? Como no Brasil a gente tem muitas coisas avançadas e pouco avançadas tudo misturado, o Brasil nos proporciona isto pra nós. A grande diferença eu acho que está não só na tecnologia, mas na transformação das pessoas. O foco está em transformar os processos para obter instrumentos de tecnologia para ajudar as pessoas em tempo real. Isto não é só tecnologia. A medida que os processo são mais inteligentes sobrará mais tempo para as pessoas e BPM é gente, BPM não é só tecnologia, o ponto fundamental é gente. Então, a medida que os processos são mais inteligentes vai sobrar mais tempo. As pessoas que tem um maior grau de conhecimento, experiência, intuição e atitude, porque não adianta ter tudo e não ter atitude para fazer diferença na organização. Então você vai ser instrumentalizado dentro do contexto do processo, isso realmente potencializa o maior ativo da organização que é o capital humano.

Gart Capote: Uma pessoa não tomar boas decisões não será uma questão apenas de incapacidade ou desconhecimento, será mau uso, inclusive, do ferramental que ela vai ter disponível.

Maurício Bitencourt: Então, você está instrumentalizando as pessoas e não adianta você instrumentalizar as pessoas só com Excel. E ontem eu tive acesso a um pessoal que estava utilizando….Fazendo integração do processo com o sistema em uma nuvem. Aí eu comecei a entender, e tinha um colega meu junto e eu disse assim…Ele tem um pouco mais de idade que eu…Eu disse assim “Tu lembras do STM400?” ai o cara falou “Eu me lembrei isto na hora que o cara me falou isso.”. Porque eles falaram assim “É como se fosse um FTP que o sistema se integra e depois o processo pega e segue em frente.”. Então, a gente está muito distante disso em muitas organizações. É tempo real! O que mais aconteceu nos últimos anos foi fazer as coisas mais rápido, das coisas acontecerem mais rápido, serem mais rápido, não é? Isto dá uma ideia de melhoria de processo ou até inovação de processos. Ao invés de focar em diminuir o negócio, focar em reduzir custo, reduzir gente, foca em potencializar o crescimento da empresa com um diferencial, com um grande diferencial. Isso é um grande diferencial e esse diferencial está na capacidade dos trabalhadores do conhecimento, e até mesmo, processo desestruturados como a gente tem visto cada vez mais.

Gart Capote: Beleza, maravilha! Mas na prática, na modelagem de um processo, na execução de um processo, usando BPMN 2.0, 2.X. Qual é a mudança física, visual e prática deste “i” na modelagem, na execução de processos.

Maurício Bitencourt: É vai ter várias mudanças, mas acho que a mais impactante, isso a gente está falando de processo previsíveis e estruturados, que é o clássico que a gente trabalha hoje com a notação BPMN, a técnica de modelagem. O ponto principal vai ser no ponto de decisão, porque é ai que está a inteligência. Ajudar as pessoas a ter melhores decisões é assim o que faz a diferença no processo e aí que tá a ideia do “i” de inteligente. Espero que vocês não interpretem como arrogante para dizer que todos os outros processos não eram inteligentes até então. Mas este modelo de decisão também é chamado de Regra de Negócio ou Business Rules esse é o ponto mais óbvio e importante para transformar um processo em um processo mais inteligente. Isso é o mais evidente, eu até antes do Podcast eu me preparei e elenquei uns pontos aqui que eu acho muito legal. O primeiro ponto é a visibilidade, boa parte das regras de negócio nas organizações já são explicitadas, mas estão escondidas dentro de códigos das aplicações ou dentro de perguntas dos gateways em BPMN. Isto trás um problema de visibilidade porque a gente esta ali atrás daquele gateway uma pergunta e as vezes aquela pergunta é sim e não e é um negócio muito rudimentar ainda e a decisão realmente acontece antes do processo chegar ali naquele ponto. Então, qual é a solução ai neste caso? É separar a regra de negócio das aplicações e dos processo, isto é claro, para ser gerenciada como um ativo de conhecimento em separado e claro ter um ciclo de vida diferente. A regra tem um ciclo de vida diferente do processo e ela pode ser utilizada por outros processos, a mesma regra. Então, isso tem tudo a ver com o desdobramento estratégico, com as políticas da organização. Então isto vai proporcionar ganhos para se utilizar tecnologias de motores de regras, são especialistas para execução, e é este ponto que você pode integrar muitos analíticos, inteligência artificial e também motores de inferência, Big Data e muito mais. A experiência, a pessoa vai poder fazer aquele julgamento em cima do que a máquina não conseguiu fazer, este é o primeiro ponto. O segundo ponto é agilidade. Em muitos casos para alterar uma regra de negócio a gente necessita de especialista de TI e prazo para isto ser alterado. Então aquilo cai naquelas caixas de demanda, filas de demanda, aquelas coisas que a gente sabe muito bem, né? Traz um custo, traz um problema sério de agilidade. Para este caso ai a decisão mais acertada é expressar as regras de negócio em termos que as pessoas de negócio compreendam. O nome já diz regra de negócio, é da empresa, da organização. Proporcionar, também, uma visibilidade destes modelos de decisão. A notação BPMN ela não é para representação de um modelo de decisão. A gente vê aí diagramas de BPMN cheio de gateways encadeados sim, não, sim, não, sim, não binários, assim bit ligado ou desligado. Então, podemos utilizar, a coisa que eu mais gosto, tabela de decisão. Um modelo mais simples de representar uma regra, os modelos mais complexos tabela de decisão não consegue atingir, mas a boa parte dos casos ela facilita muito o entendimento. A gente faz lá, a gente começa as tabelas de decisão em Excel mesmo, coloca no PowerPoint, senta com as pessoas e verifica como faz. No meu entendimento é muito mais fácil de comunicar isso e comunicação é uma coisa…. BPMN traz muito isso uma comunicação visual e fácil de interpretar e a tabela de decisão, também dá esta comunicação visual de uma forma estruturada. Estruturar o conhecimento. O uso do BPMS e motor de regras auxiliam… No caso não BPMS o BRMS que é o Business Rules Management System então o Management vem de gestão e System é um sistema para você gerir isto. Isto auxilia para você ter um repositório de conhecimento. Criar e manutenção, criação e manutenção, por pessoas de negócio e também de TI porque o grande diferencial está aí, é fazer as pessoas de TI e negócio trabalharem juntas. E também na execução das regras de negócio que vão ser consumidas pelo processo, consumida estes é como se fosse serviço mesmo. Devemos estimular esta colaboração entre TI e as pessoas de negócio para obter essa agilidade. E o terceiro ponto a consistência. Então, é comum ter pessoas com diferentes interpretações sobre a mesma política, sobre a mesma regra. Isto é um problema sério de consistência nas organizações. Muitas regras não necessitam de interpretação, estão na norma, o que diz a norma cumpra-se estas que não tem julgamento são as mais fáceis e candidatas a você construir um modelo de decisão estruturado que permitam incrementar uma base de conhecimento na organização. Isto é garantia de conhecimento e um conhecimento que depois você pode executar. Quando você cria modelos você estrutura e quando você estrutura hoje você já pode rodar, aí a máquina faz por você. Então tratar regra de negócio como ativo da organização, assim como processo como ativo, e um repositório unificado garante a gestão do conhecimento e proporciona um maior alinhamento entre estratégia e a operação, buscando também, como resultado disso, conformidade e produtividade. Então para os processos não estruturados nos temos aí técnicas e tecnologias, também, que já evoluíram muito. Isto também pode ser utilizado, então, Adaptive Case Management ou Gerenciamento de Caso que pode ser utilizados pra um monte de … todas as organizações podem ter isso e isso envolve capacidade de analise alto índices de experiência e julgamento e colaboração que vem do capital humano da organização. Eu acho que esses são os pontos que são fundamentas para isso aí.

Gart Capote: Maurício para o pessoal não achar que nós consumimos algum tipo de droga ilícita antes de gravarmos este Podcast você não acha que essa tecnologia toda, essa história de Skynet, de Exterminador do Futuro, as máquinas se rebelando, tomando decisão. Isso não é fora da nossa realidade, ou isso já é uma realidade que ainda não foi amplamente adotada?

Maurício Bitencourt: A gente está em São Paulo aqui em um hotel, né? E a gente está gravando este Podcast antes da reunião da ABPMP, né? Eu também fiz questão, eu até te peço desculpas que eu não fiz o Podcast antes, não foi por falta de convite. Mas eu fiz questão que você um Podcast que a gente estivesse assim, entrevista junto para que a gente pudesse… Porque é tão bacana encontrar várias pessoas da ABPMP sentar em uma mesa e bater papo sobre BPM e a gente aprende muito, né? Dando aula em Boot Camp e a ABPMP é uma grande unidade que proporciona muito isso, né? A gente trocar informações e tal e aqui ós estamos usando uma capacidade da internet de fazer muito mais ainda, e eu acredito muito nisso, que é quando mais você compartilha mais você tem. E isso é real, isso é real mesmo. Então, estas técnicas e tecnologias que a gente estava falando aqui já estão disponíveis hoje para usar hoje mesmo, inclusive, sem custo com código aberto. Foi este curso que eu fiz lá fora e tem coisa que está sobe demanda na nuvem. A nuvem te traz esta coisa da elasticidade, capacidade de praticamente ilimitada, por que o que a gente esta trabalhando com Big Data, com volume enorme, e como é que vou rodar isso no meu servidor lá da empresa? Da pra rodar na nuvem sobe demanda isso, inclusive com o software sobe demanda. Então, isso esta disponível para todo mundo a custos muito baixos. O custo vai ser a curva de conhecimento, isso é capacitação, capacitação, muita capacitação. Eu falo isso várias vezes porque esse é o fator, é capacitar as pessoas, o capital humano é que faz a diferença. Agora eu fico imaginando o que a NSA tem na mão pra ver muito mais que a gente vê hoje que a gente pode aplicar nas empresas, que está disponível pra gente hoje.

Gart Capote: Aliais eu mando um abraço para eles….

Maurício Bitencourt: Eles devem estar nos ouvindo, né? Espionando todo o trafico de telefonia e internet. Hello NSA! Muito legal. E a dificuldade do uso do iBPM ou iBPM não esta no acesso a tecnologia, mas na gestão de mudança das pessoas, na resistência a transformação e naqueles interesses ocultos que acontecem muito, né? Então, no meu entendimento a transformação disso está de fora para dentro. O cara que eu ouvi falar de outside-in foi o Gart, foi o primeiro cara que realmente falou com consistência isso e influenciou muito o CBOK e esta influenciando muito as organizações, também. Então, a transformação está na mão de todos que usam os produtos e serviços que são os clientes que vão, que são melhores informados hoje, que tem mais informação, eles são mais exigentes, são menos tolerantes a ineficiências internas das organizações, registram as insatisfações em site do tipo Reclame Aqui. A mudança dentro da organização vem de fora, ela vem pela necessidade. Então, ai ter gente que vai utilizar isso para inovação, para expansão da organização, criação de novos mercados. E vai ter gente que vai usar estes conceitos ou já esta usando, antes só as grandes empresas, as grandes consultorias, e na ABPMP a gente tem muito disso, né? Que é massificar conhecimento, eu acho que isso tem muito de legal, porque quando mais a gente massificar conhecimento melhor a gente vai ter melhores serviços, serviços públicos, melhores serviços e produtos privados, também, melhor telefonia (pelo menos), né? E outros casos também, outras empresas vão estar ligados a estratégia de sobrevivência no mercado, porque eles vão ter que utilizar destas tecnologias para poder pelo menos sobreviver. Porque o concorrente vai fazer mais que ele, mais rápido, dentro do contexto, não vai esperar rodar um report para poder depois ter uma informação. Acho que não é tão viagem assim.

Gart Capote: Maurício o pessoal que quiser, que também acredita que isso não é uma viagem insólita e sim viável, já! Neste mundo que a gente vive e quiser conhecer um pouco mais, trocar uma ideia com você, como é que ele te acha? Como é que ele faz o contato?

Maurício Bitencourt: Legal! Acho que o melhor canal para isto é o LinkedIn. É mais fácil vai lá no LinkedIn bota Maurício Bitencourt CBPP, me adiciona lá e eu por lá… eu aceito o convite e aí a gente troca ideias por lá, pelo próprio LinkedIn e é uma coisa realmente de comunidade. O canal que a gente está utilizando aqui é o canal da internet. Eu acho que tem que ser este canal aí mesmo. Então, www.linkedin/in/mbitencourt ou vai lá e procura Maurício Bitencourt CBPP. Então, da minha parte muito obrigado Gart. Olha eu acho fantástica tua iniciativa e isso…. a gente fala com várias pessoas e sabe que o pessoal esta acessando o teus Podcasts eu acho que é muito bacana, fique a vontade para a gente se aprofundar mais aí, a gente não falou sobre eventos complexos também, né? Que é uma conjunção de vários eventos e uma coisa que falto ai na nossa … Mas isso fica para uma outra hora, aí. E o pessoal que quiser colocar mais assuntos ai a gente se junta, porque é muito prazeroso sentar aqui e bater papo, né? A gente vai agora se encontrar com o Furlan e o Leandro e vai ter muito papo até a madrugada. Um abraço a todos que estão nos ouvindo, um abraço a NSA, também, que esta nos ouvindo na internet e até mais.

Apresentadora: Você ouviu BPM Podcast com Gart Capote. Visite o site e saiba mais sobre o mundo da gestão por processos em gartcapote.com. Até breve.